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O que podemos fazer politicamente pelo Brasil – Parte II

Sobre a manipulação midiática

“Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.”
Paulo Henrique Amorim

Quando chega a época de eleições, é comum ver notícias e matérias inteiras com falácias a respeito de candidatos e partidos políticos que não agradam ou não oferecem vantagem aos editores, donos e lobistas de instituições de cunho informativo – como jornais, revistas e periódicos – que não respeitam o princípio da imparcialidade.

A informação é um importante instrumento de formação. Justamente por isso, devemos submeter à rigorosa análise tudo a que somos expostos antes mesmo de levar algo em consideração. Em alguns casos, é fácil identificar o toque manipulador da mídia (como na famosa edição “melhores momentos de Collor X piores momentos do Lula”, feita pela TV Globo, em 1989). Em outros, no entanto, a mídia demonstra poder, oportunismo e facilidade de “manipulação obscura” desmedidos.

Para citar um só exemplo, recorro à matéria recentemente publicada pelo jornal O Globo, na qual eles analisam o relatório feito pela Anistia Internacional sobre o Brasil. A matéria discorre sobre os vários problemas sociais apontados no relatório e destaca um só culpado: o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento -, nada menos que o principal sustentáculo da política do governo Lula.

A manchete – “Anistia: PAC pode ameaçar direitos humanos” – já diz muito sobre esse tipo de notícia. Todas as outras análises desse mesmo relatório (que pude ler) falam sobre os problemas relacionados à segurança pública, discriminação indígena, impunidade, condições desumanas de trabalho em canaviais e também sobre violência contra mulheres. Todos esses são tópicos do relatório. Vocês acham que os malefícios atribuídos ao PAC, com relação aos direitos humanos, são mais importante que qualquer um desses assuntos? Por quê? Pois é.

Não acho ruim uma matéria, ainda que feita por um veículo reconhecidamente parcial, “desmascarar” partidos e políticos por aí afora. Mas chega uma hora em que até a mais bem intencionada das matérias parece não ter o mínimo de credibilidade. O brasileiro está demasiado exposto a todo o tipo de manipulação midiática possível. E isso se torna mais evidente em época de eleição.

A esmagadora maioria dos veículos de comunicação brasileiros está nas mãos de umas poucas famílias sem nenhuma responsabilidade ética. O respeito aos leitores, ouvintes e telespectadores vem logo atrás do interesse financeiro.

Não me considero uma pessoa ingênua. A imparcialidade dificilmente será encontrada em algum veículo de comunicação brasileiro. Por isso, todo cuidado é pouco na hora de sustentar uma opinião (ou transformá-la em voto) a partir de notícias que visam nos manipular.