Textos categorizados 'impunidade'

Crime sem Castigo

Incrível como as coisas no Brasil raramente mudam. Na onda do Grau de Investimento, o que denota confiança internacional na saúde financeira tupiniquim, surgem fatos que no mínimo sustentam a imagem de um outro Brasil: o país da impunidade.

A absolvição do fazendeiro Vitalmiro Moura, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang, no Pará, em dezembro de 2005, ilustra claramente o tento dizer. O fazendeiro foi absolvido em júri popular, após uma das testemunhas (que é réu confesso do caso e condenado a 18 anos de prisão) reconsiderar sua afirmação anterior, a de que havia contratado os pistoleiros que assassinaram Dorothy Stang a mando do senhor feudal.

Assim também o fez o bandido que puxou o gatilho. Ele disse que o fazendeiro não está envolvido na história. Me causa espécie saber que esse matador de aluguel havia prestado 14 depoimentos anteriores, e só agora resolveu isentar de culpa seu senhor feudal.

Vitalmiro, aliás, havia sido condenado a 30 anos de prisão no dia 15 de maio de 2007. Mas, vejam só. Pelo Código Penal Brasileiro, se um réu é condenado a mais de 20 anos, tem direito a um novo julgamento. Um ano após a primeira condenação, o fazendeiro – Bida, como é carinhosamente chamado – foi considerado inocente. Bravo.

O caso é complexo e repercute no mundo inteiro. Mas esse é um caso que parece ser normal no Pará. Ou alguém aqui se esqueceu do caso onde a Justiça manteve uma menina de 12 anos em uma cela lotada de homens? É, isso aconteceu por aqueles lados também.

Nosso país dificilmente pune mandantes. Dessa vez, o mundo inteiro está de olho no caso e certamente farão pressão por um novo julgamento. Tomara que a morte da freira seja um marco na história de impunidade no Brasil.

Até nosso presidente está preocupado com a repercussão do caso. Durma-se com isso.