A pergunta, devido sua imprecisão, dá-nos margem para pensar em um bocado de respostas plausíveis. A maioria delas certamente sustentada por nossa experiência mundana, aquela que adiquirimos no dia-a-dia. Contudo, como sabemos que aquilo que dizemos conhecer é necessariamente uma verdade?
Um exemplo para desanuviar meu raciocínio: muitos poderiam dizer que são pais e mães de seus filhos. Mas eles poderiam ter sido trocados na maternidade e, nesse caso, estarem enganados a esse respeito. Poderiam, então, notar que estavam enganados a respeito de diversas outras coisas.
O que temos, na maioria das vezes, são crenças. Algumas logicamente plausíveis. Outras, nem tanto. Mas nenhuma delas verdades irrefutáveis. Por isso, a ciência e a filosofia criam parâmetros para examinar nossas crenças e verificar quais são realmente certas e quais são efetivamente falsas.
Não é difícil encontrar grupos de pessoas que acreditam naquilo com o que não concordamos. Eles acreditam em uma verdade que não aceitamos. Nesse caso, como decidir quem está certo e quem está definitivamente errado?
O Ceticismo Filosófico tenta estabelecer as condições para que algo seja tomado como verdade absoluta, ou seja, uma verdade que independa de fatores circunstanciais, algo que não seja verdadeiro somente para mim ou somente para um grupo de pessoas, mas para todos os seres racionais. Uma espécie de condição universal para a verdade, que independa de opiniões particulares.
O ceticismo filosófico teve origem na grécia e uma de suas primeiras propostas foi feita por Pirro de Elis, que viveu entre 360 e 275 a.C. Diz a lenda que o filósofo morreu enquanto dava aula a seus discípilos, de olhos vendados. Um deles o teria alertado sobre um precipício. O filósofo não acreditou e acabou caindo.
Obviamente, essa é uma lenda que visa nos dizer a dimensão dos problemas ocasionados devido ao ceticismo cego. Como em tudo, devemos ser suficientemente inteligentes para saber balancear o ceticismo em doses sensatas. Manter crença em tudo, bem como negar tudo ao invés de duvidar e investigar, geralmente não nos ajuda conhecer o mundo de maneira autêntica, onde a verdade absoluta talvez nem exista, e seja, como disse Nietzsche, somente um ponto-de-vista.