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Crise Capital de Valores

A carnificina financeira global parece sensibilizar todas as pessoas. Mesmo aquelas que não possuem dinheiro na bolsa, mesmo aquelas que não possuem sequer condição de poupar algum dinheiro no final do mês, se mostram preocupadas com o que pode acontecer daqui para frente.

A maioria das pessoas com as quais conversei a respeito se mostram preocupadas com essa hecatombe, mas não fazem a menor idéia do que está acontecendo, do que pode acontecer e como esse evento pode, de alguma forma, nos prejudicar. Pouco importa. Se canais de tevê, publicações gigantescas, programas de rádio, portais e blogs de internet, em uníssono, alardeam a tal crise, é porque ela é realmente séria.

Assim, o mundo inteiro pressionou o governo americano para que uma atitude condizente com a magnitude de sua economia fosse tomada. Um pacote bilionário foi, então, aprovado pelo senado americano. Genial, pois, apesar de esse dinheiro servir para manter especuladores endinheirados, a moral do cidadão comum será reestabelecida. Afinal, se a economia dos bancos quebrar, cidadãos comuns ficarão sem suas casas, sem dinheiro para consumo, sem sua felicidade.

O bem-estar das pessoas que sofrem com a crise do Capital parece estar atrelado à cotação do dolar e à volatilidade das bolsas. Para mutos, a vida não faz o menor sentido longe do consumo – vida que, invariavelmente, se passa sem um referencial do real. Impiedosamente, o Capitalismo precifica nossos valores morais.

Parte do planeta pede socorro para que as perdas de dinheiro – excessivo – sejam minimizadas, enquanto que a maioria pobre da humanidade passa fome, morre por doenças que já deveriam ter sido dizimadas, lutam por sua subsistência todos os dias. Elas nunca tiverem a mesma atenção dada aos gananciosos executivos estadunidenses, aqueles mesmos que na obcenidade dos bônus que ganhavam afundaram a economia mundial.

A despeito de toda essa crise do Capital, o que me assusta é a crise de valores pela qual passamos. O que mais nos devia ser valioso não é comercializado na bolsa e não depende da variação do dolar.

A ganância do ser humano

O mundo inteiro sofre com três crises capitais e de grande amplitude: a crise financeira, a crise energética e a crise alimentar. Essas crises não segregam uma e outra. Pelo contrário, elas combinam e confluem-se. E na busca por uma saída, acabam evidenciando o que provavelmente há de mais sinistro em todo esse sistema: a ganância do ser humano.

As instituições mais endinheiradas sofrem com perdas estimadas em 330 bilhões de dólares até o momento – e contando. O FMI (nada menos que o “Fundo Monetário Internacional”) diz que para sair dessa crise serão necessários 950 bilhões de dólares (a título de comparação: quase metade de todo o PIB brasileiro). E esse dinheiro deverá sair deles mesmos, num processo cíclico e desonesto. Mas não em sua totalidade.

Parte do dinheiro para ocultar a crise virá de países como o Níger, um dos países mais pobres do mundo e que vive em constante estado de guerra civíl. O motivo? Sua abundante riqueza. Transnacionais impiedosamente exploram seu território em busca de urânio, fazendo de Níger o terceiro maior produtor desse metal em todo o planeta. E as pessoas que são naturalmente donas daquelas terras, como é que ficam? Ficam na mesma: alguém tem que perder no sistema em que vivemos.

Fica claro, nesse ponto, que aquilo que me incomoda não é a crise financeira em si. Mas as crises sociais invariavelmente deflagradas por ela. Não consigo digerir a falta de comprometimento das pessoas com seus iguais. Por que tanta ganância e, da outra parte, submissão? Por que não há revolta mesmo sabendo que 80% da riqueza do mundo está concentrada em 20% da população?

Simples: porque não há crise alguma. O povo não reage porque não há crise, não precisamos nos preocupar pois vivemos tal como quis nosso destino, ou nosso(s) deus(es), ou nossos administradores. E somos subservientes a todos eles.

Na opinião de um amigo meu, a única maneira de fazermos o Capitalismo vergar-se é deixando que ele se autodestrua. Isso porque trata-se de um sistema virtualmente perfeito, ainda que uns e outros – como Marx, que em seu fabuloso O Capital disse que “se o capital se distribuísse em partes iguais entre todos os indivíduos da sociedade, ninguém teria interesse em acumular mais capital do que pudesse empregar por si mesmo” – tentem dizer o contrário.

Durma-se bem com tudo isso.

Um sistema em crise

A economia mundial não pára de crescer. Isso é sabido. O que alguns provavelmente não saibam são os meios mais comuns do crescimento: a estimulação do consumo. As pessoas estão consumindo cada vez mais, produtos que duram cada vez menos. Compram produtos que fazem a mesma coisa, para resolver problemas que não existiam; para satisfazer prazeres criados pela própria indústria.

Como mostra o vídeo abaixo, esse é um sistema linear cíclico (explorar, produzir, consumir, descartar), em um mundo finito. Não há a menor possibilidade de continuarmos dessa maneira. As pessoas precisam mudar suas atitudes. Precisam entender que o sistema em que vivemos não funciona e está sufocando nosso planeta.

Nesse post, não me estenderei. Mas, por ser um assunto recorrente, cada vez mais discutido em nossa sociedade, é bem provável que eu volte mais tarde com mais de minhas frustrações.

O vídeo abaixo, intitulado “A história das coisas”, é fácil de entender. Possui apenas 20 minutos (de informação efetiva) e vale muito a pena. No Google Video – e também aqui, basta dar o play aí embaixo – é possível assistir com legendas em português.

Caso queiram se aprofundar nas origens do sistema em que vivemos, recomendo que assistam ao documentário Zeitgeist. Trata-se um filme extremamente reflexivo, investigativo e instigante. Ele também  pode ser visto com legendas em português no Google Video, através deste link.

Cadernos de formação Marxista

Entre 1894 e 1917, o Czar da Rússia foi Nicolau II, também o último da história. À época, a Rússia vivia em situação de extrema pobreza e desigualdade social – cerca de 90% da população não sabia ler e escrever; estavam totalmente entregues aos senhores feudais da época. Seu antecessor, Alexandre III, retomou com vigor um regime monárquico absolutista, praticamente anulando todos os benefícios proporcionados ao povo por Alexandre II, seu pai.

Nicolau II foi quem facilitou a entrada de capitais estrangeiros para promover a industrialização do país. O Capitalismo Russo iniciava uma forte ascensão, amparado por uma classe operaria de aproximadamente três milhões de pessoas, que recebiam salários miseráveis e eram submetidas a jornadas de 12 a 16 horas diárias de trabalho.

Junto do capital estrangeiro, vieram novas correntes políticas que, paradoxalmente, batiam de frente com a política do governo Russo. A condição insustentável do país, principalmente devido à exploração operária, foi a motivadora para que correntes e ideais socialistas florecessem. Dentre as principais, destacava-se a corrente inspirada no marxismo: a do Partido Operário Social-Democrata Russo. Cinco anos após a fundação do partido, conflitos internos de ideais culminaram na divisão entre os Partidos Mencheviques e Bolcheviques. Este último, liderado por Lenin.

Os bolcheviques defendiam uma mudança radical de política para seu povo, defendendo uma revolução socialista armada, caso necessário. Os mencheviques defendiam uma revolução moderada, permitindo primeiro a democracia e só depois o socialismo.

Nessa época, o primeiro movimento espontâneo, de cunho social e anti-governamental, e que se espalhou por toda a Russia, foi a chamada “Revolta Russa de 1905″, que deu-se logo após o término da guerra com o Japão, sustentada pela disputa de território na Coréia e na Manchúria. O exército Russo teve desempenho desastroso, o que culminou na falta de confiança no império por parte do povo. O principal acontecimento dessa revolta ficou conhecido como “Domingo sangrento”. A revolta terminou com um massacre do povo. Posteriormente, Lenin disse que ela serviu como um ensaio geral para a Revolução Russa de 1917.

Estoura, então, a Primeira Guerra Mundial, onde a Russia sofreu severas derrotas nos combates com os Alemães. A guerra, obviamente, cerceou ainda mais a distribuição de alimentos e medicamentos, provocando uma enorme crise no já debilitado governo Russo. O povo, novamente, se revolta. No dia 2 de Março de 1917, Nicolau II abdica o trono. Treze dias depois, forças políticas de oposição (basicamente composta de socialistas) assassinam Nicolau II e sua familia. Era o início da Revolução Russa.

Os ideais socialistas, algumas das teorias de Marx e Engels postas em prática, manobras políticas, guerra civíl, ascensão ao poder. Tudo isso é possível de ser observado durante a revolução e, principalmente, depois dela, quando Lenin persegue a criação de uma Ditadura e, posteriormente, Stalin consegue atingi-la. É provável que eu volte a falar especificamente disso num futuro próximo.

O site vermelho.org possui uma área entitulada “Cadernos de Formação Marxista”, a qual divulga algumas das publicações de Karl Marx e Friedrich Engels, os fundadores do Socialismo, além de obras de Lenin, revolucionário Russo, líder do Partido Comunista e principal responsável pela Revolução Russa, fortemente sustentada pelos ideais Marxistas.

Apesar de polêmica, a obra de Karl Marx é de referência praticamente obrigatória nos estudos das sociedades (em âmbito político, principalmente) atuais. Antes de tudo, Marx foi um revolucionário, mas teve influência no campo filosófico, tendo sido considerado, ao lado de nomes como Kant e Hegel, um grande filósofo alemão. Um dos maiores pensadores de todos os tempos.

Marx não acreditava que o Socialismo era a solução para todos os problemas. Era apenas um estado intermediário para o Comunismo – este sim seria o sistema justo e definitivo. Porém, o Comunismo, segundo suas próprias palavras, é impensável sem antes estabelecermos uma sociedade Socialista.