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O que podemos fazer politicamente pelo Brasil? – Parte III

Sobre o nosso voto

“O Brasileiro não sabe votar.”
Pelé

Nem todo mundo se interessa por política. Isso é fácil de constatar. A maioria das pessoas acha que isso traria novos problemas à vida delas, que já não é fácil – dentre outros motivos, porque nossos políticos não fazem sua parte. Nem o povo.

Não é raro encontrar pessoas, em dia de votação, caminhando em direção as urnas sem saber em quem irá votar. Votam por obrigação e tentam nos panfletos espalhados pelo chão escolher um candidato qualquer. Acham o horário eleitoral incômodo e desnecessário. Só servem para atrapalhar o horário de início da novela das oito.

O problema é que a ignorância política – que afeta pessoas de classe-média, pobres e mais abastados, fique isso bem claro – faz com que bizarrices pipoquem em ano de eleição: Clodovil Hernandes foi eleito deputado, em São Paulo, com quase 500.000 votos. Frank Aguiar, também eleito deputado, recebeu quase 150.000 votos. Paulo Maluf e até o ex-presidente Fernando Collor (aquele mesmo) figuram entre os largamente aceitos pelo povo.

Esses tipos foram eleitos por pessoas que não fazem a menor idéia da importância de um voto. Clodovil, por exemplo, nos dias que sucederam sua vitória nas urnas deixou bem claro quais eram seus objetivos durante o mandato. Mas o que esse tipo de candidato poderia fazer por nós? Costurar? Não, ele não foi eleito para isso. Mas então, pra quê?

A maioria das pessoas não faz a menor idéia das atribuições de um senador, não sabem quais as responsabilidades de um deputado, tampouco de um vereador. Pensam que no Brasil o que interessa é a Presidência da República. E isso acarreta em outro problema: devemos reclamar pra quem, afinal, se não sabemos o que exatamente cada um dos candidatos deveria fazer?

O site da câmara dos deputados diz que “O Poder Legislativo (…) desempenha três funções primordiais para a consolidação da democracia: representar o povo brasileiro, legislar sobre os assuntos de interesse nacional e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.” O Poder Legislativo é composto pela Câmara dos Deputados, pelo Senado Federal e pelo Tribunal de Contas da União. Entender como funciona o Poder Legislativo é importante para que saibamos como cobrar de nossos deputados e senadores aquilo que usualmente prometem durante suas campanhas.

Apesar do desinteresse – e ignorância política decorrente disso –, e tirante aqueles que simplesmente ignoram nomes e fatos que surgem dia após dia, o brasileiro geralmente vota com a certeza de que está ajudando a eleger o melhor dentre os candidatos. Contudo, em um sistema político como o nosso, que privilegia candidatos com dinheiro para fazer campanha, independente do caráter, da honestidade e do preparo do sujeito, fica difícil escolher um “melhor” entre eles, que parecem iguais.

Uma solução para aqueles que não encontram opções dentre os candidatos é geralmente “anular o voto”. Particularmente, acho uma melhor solução o boicote em massa: ninguém vota. Mas para isso necessitaríamos de um espírito coletivo desenvolvido. E o brasileiro só se demonstra unido e interessado em época de Copa do Mundo. Infelizmente.

Assim, nos resta conhecer muito bem nossos candidatos, fazer o possível para acompanhar o que eles têm feito por nós e cobrá-los. Todos os nossos representantes podem ser contatados através de e-mails – que podem ser encontrados nos sites da Câmara e do Senado, por exemplo.

Então, uma pergunta final: já mandou um e-mail para seu representante hoje?