Parece que a onda de “Políticos 2.0″ está chegando ao Brasil. Aparentemente, o sucesso do virtual candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, era o que faltava para que os partidos brasileiros investissem com maior afínco no marketing online – principalmente nas redes de relacionamento.
O PPS – Partido Popular Socialista – é o primeiro partido brasileiro a criar um sitio com recursos da chamada “Web 2.0″. O Portal conta com ferramentas que visam atrair o público jovem para conhecerem suas idéias, seus ideais políticos e envolver-se com a sociedade como um todo.
Para isso, desenvolveram ferramentas como uma rede social, denominada Rede23, um portal de TV – a TV PPS – e até Rádio online. O apelo não pára por aí. Uma vez cadastrados, podemos criar blogs, adicionar fotos e vídeos e até criar comunidades segmentadas (ao melhor estilo “Orkut”). A apresentação do novo sítio é feita pelo Presidente do partido, Roberto Freire.
A iniciativa me surpreendeu bastante. Um Portal desses, com os objetivos postos, certamente trará maior visibilidade ao partido. Isso também fará com que a participação do eleitor seja mais ativa. E isso poderá trazer problemas aos partidos cuja filosofia de “nunca se posicionar até que absolutamente necessário” fala mais alto.
Explico. No Brasil, é comum ver partidos com ideais opostos se aliarem em determinadas campanhas (como na eventual aliança entre Quércia e Democratas, na disputa pela prefeitura de São Paulo). E para fazer sucesso na internet – tal qual atingiu Barack Obama, por exemplo -, é necessário ter uma posição bastante definida, ser transparente e lembrar que o Google armazena histórico de praticamente todo o conteúdo publicado nos dias atuais. Ou seja: uma vez dito, nem foro privilegiado resolve.
De qualquer maneira, o lançamento do sítio é um marco para o movimento político na internet brasileira. Até hoje, o máximo que tínhamos eram comunidades orkutianas, e-mail marketing e blogs editados por subordinados. Pudera. Pouco conteúdo é o mesmo que pouca munição para os partidos adversários.
O surgimento de Portais como este – onde ainda nem tudo são flores, já que não é possível encontrar, por exemplo, um diretório de propostas públicas -, fará com que jovens que (ainda) não se interessam por política tomem gosto, e poderão fazê-lo de uma maneira cultuada pela maioria deles: criando e se relacionando pela internet.
Tomara que até 2010 o TSE consiga entender que o futuro está aí, e não adianta fechar os olhos para ele. Proibir que campanhas utilizem todos os recursos da internet, em pleno país onde as pessoas passam mais tempo online que qualquer outro no planeta me soa, no mínimo, antiquado.