O mundo inteiro sofre com três crises capitais e de grande amplitude: a crise financeira, a crise energética e a crise alimentar. Essas crises não segregam uma e outra. Pelo contrário, elas combinam e confluem-se. E na busca por uma saÃda, acabam evidenciando o que provavelmente há de mais sinistro em todo esse sistema: a ganância do ser humano.
As instituições mais endinheiradas sofrem com perdas estimadas em 330 bilhões de dólares até o momento – e contando. O FMI (nada menos que o “Fundo Monetário Internacional”) diz que para sair dessa crise serão necessários 950 bilhões de dólares (a tÃtulo de comparação: quase metade de todo o PIB brasileiro). E esse dinheiro deverá sair deles mesmos, num processo cÃclico e desonesto. Mas não em sua totalidade.
Parte do dinheiro para ocultar a crise virá de paÃses como o NÃger, um dos paÃses mais pobres do mundo e que vive em constante estado de guerra civÃl. O motivo? Sua abundante riqueza. Transnacionais impiedosamente exploram seu território em busca de urânio, fazendo de NÃger o terceiro maior produtor desse metal em todo o planeta. E as pessoas que são naturalmente donas daquelas terras, como é que ficam? Ficam na mesma: alguém tem que perder no sistema em que vivemos.
Fica claro, nesse ponto, que aquilo que me incomoda não é a crise financeira em si. Mas as crises sociais invariavelmente deflagradas por ela. Não consigo digerir a falta de comprometimento das pessoas com seus iguais. Por que tanta ganância e, da outra parte, submissão? Por que não há revolta mesmo sabendo que 80% da riqueza do mundo está concentrada em 20% da população?
Simples: porque não há crise alguma. O povo não reage porque não há crise, não precisamos nos preocupar pois vivemos tal como quis nosso destino, ou nosso(s) deus(es), ou nossos administradores. E somos subservientes a todos eles.
Na opinião de um amigo meu, a única maneira de fazermos o Capitalismo vergar-se é deixando que ele se autodestrua. Isso porque trata-se de um sistema virtualmente perfeito, ainda que uns e outros – como Marx, que em seu fabuloso O Capital disse que “se o capital se distribuÃsse em partes iguais entre todos os indivÃduos da sociedade, ninguém teria interesse em acumular mais capital do que pudesse empregar por si mesmo” – tentem dizer o contrário.
Durma-se bem com tudo isso.