Recentemente, iniciei a leitura de “A desobediência CivÃl“. Trata-se do texto mais conhecido de Henry David Thoreau, e foi escrito em 1849. O texto foi abrilhantado pela influência que exerceu na resistência pacifista de Mahatma Gandhi, na liderança ativista de Martin Luther King e nos ideais polÃticos de Léon Tolstói.
O texto deixa claro que Thoreau estava insatisfeito com seu governo. “Aceito com entusiasmo o lema ‘O melhor governo é o que governa menos’” dá inÃcio à uma leitura e reflexão grandiosas. No decorrer do ensaio, Thoreau questiona como as pessoas são capazes de se sentir confortáveis, em condições morais satisfatórias, enquanto “escraviza ou faz sofrer um outro homem”. Em nenhum momento, no entanto, ele diz que precisamos ser fisicamente agressivos. Ao contrário, diz que basta não apoiar o governo, nem deixar que ele o apóie – mesmo quando estiver contra ele.
Em outras palavras, ele sugere que neguemos ao governo em todos os aspectos. Não damos nosso apoio (pagando impostos, por exemplo) e não aceitamos nenhum de seus subsÃdios. Thoreau sustentou seus ideais de tal maneira, que chegou a ficar uma noite inteira numa prisão no estado onde morava, após ficar seis anos sem pagar o imposto “per capita” (ou “individual”). No ensaio, logo após o episódio, ele diz: “perdi todo o respeito que ainda tinha por ele [governo] e passei a considerá-lo apenas lamentável”.
Nos dias de hoje, acho difÃcil seguir a risca o que diz Thoreau. Confesso, inclusive, que devido minha cultura capitalista, foi bastante difÃcil digerir aquilo que foi escrito. Não é fácil interpretar e compreender abolicionistas em uma época como a nossa, onde nem mesmo em pensamentos pueris é possÃvel cogitar uma vida sem impostos, taxas de sobrevivência ou pouco dinheiro para desfrutar uma vida saudável.
Entretanto, a insatisfação que leva Thoreau a se rebelar deveria (e poderia) ser levada em consideração em vários outros aspectos de nossas vidas. O governo não nos é tão útil tanto quanto como nós somos para eles – enquanto contribuintes. Muitos sentem isso, mas poucos deixam claro sua insatisfação. Menor ainda é o número de pessoas que sugerem soluções ou transmitem idéias capazes de atrair seguidores.
Num paÃs como o nosso, onde fatos e boatos alimentam continuamente o ceticismo da população com relação ao nosso governo, ensaios como “A desobediência CivÃl” nos mostram que a melhor maneira de protestarmos não é fazendo igual ou pior que as quadrilhas do Palácio do Planalto, mas renegando-as, inclusive, em suas caracterÃsticas mais humanas.
Uma nação justa não se faz de um povo que corrompe sob a desculpa de ter sido um dia corrompido. Mas de pessoas que não aceitam a corrupção em nenhuma forma, e luta contra aquilo que o incomoda da melhor maneira possÃvel: não lhe dando seu apoio em nenhum aspecto.
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Thoreau foi influenciado por Rousseau, autor de “O Contrato Social“. Nesta, que é considerada a obra-prima do autor, ele entende que todo ser-humano é livre e naturalmente bom. Ele se torna corrupto de acordo com o meio em que vive. Por isso, ele estimula os homens a viverem em sociedades menores.
As idéias de Rousseau – como os princÃpios de liberdade e igualdade polÃtica – tiveram grande influência na Revolução Francesa, tendo, inclusive, inspirado sua segunda fase, quando o que havia sobrado de monarquia fora completamente liquidado.
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Para os cinéfilos, recomendo que assistam “Into the wild“, que é fortemente influenciado por Thoreau.