Irlanda – O início

Em sua obra-prima intitulada “O Estrangeiro”, Albert Camus retrata um personagem mergulhado em um mundo sem emoções e sentimentos. Em determinado momento, Meursault diz que um homem poderia viver 100 anos dentro de uma cela de prisão, se tivesse uma só boa lembrança para recordar-se.

O protagonista demonstra tranquilidade e não aparenta nenhuma perturbação externa. Um aspecto interessante, e que por muitas vezes identifiquei em mim mesmo. Porém, Meursault é uma pessoa completamente insensível, vivendo o absurdo que é a vida, segundo Camus, sem jogar o jogo proposto pela sociedade.

Eu não me considero uma pessoa insensível. Aliás, muito pelo contrário. Insensibilidade e “imperturbabilidade”, ou aquilo que Epícuro chamou de ataraxia, são coisas diferentes. Eu me considero uma pessoa com estrutura emocional capaz de evitar o pânico e o desespero em situações diversas, ainda que sofra inimaginavelmente.

Pois bem. Estou prestes a sair de casa pela primeira vez na vida. Deixo minha casa para morar fora do país, e a distância da família e amigos deixarão saudade previsivelmente grande, e para a qual ainda não fui testado, mas considero-me preparado para suportá-la.

Neste blog, pretendo relatar os fatos mais marcantes dessa viagem. Se você tiver algum interesse em saber disso, é só ficar atento.

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