Arquivo para Setembro, 2008

A Fuga no Cigarro

Houve uma época em que fumar era sinômimo de bom status social. Quem fumava era cool, bacanudo. E assim muita gente entrou no jogo. Mas, e hoje? Esse mundo não foi feito para fumantes e, naturalmente, eles estão sendo segregados. E isso independe de governo. Falo de pessoas e a inversão que acontece: quem não fuma é cool, quem fuma precisa se distanciar para não incomodar.

O governo e a OMS pegam pesado com a proibição do ato de fumar em locais públicos, com o aumento de impostos e com a proibição das propagandas de cigarros. Mas, ao que se vê, as pessoas simplesmente não param de fumar e jovens dão uma sobrevida incrível à indústria da morte.

E por quê? Por que esses jovens entram num jogo viciante mesmo sabendo que estão trocando minutos de prazer por minutos de vida? - a cada cigarro, estima-se que onze minutos de sua vida são jogados no lixo (leia mais).

Na escola e no colégio, é fácil entender porquê: para se enturmar. Independente de sua autoestima, de seu temperamento, de seu comportamento, a turminha do cigarro sempre lhe acolherá. Numa balada também é fácil: se você está sozinho(a), basta acender um cigarro e fumar sobre o pretexto de que não precisará conversar com ninguém porque você está curtindo uma fumaça.

Pessoas não precisam de um motivo para fumar, ora, direis. Eu talvez concorde com isso. Mas, e as pessoas que fumam quando estão nervosas? Na iminência de terem que encarar um problema face-a-face? O cigarro lhes parece a única saída viável, a única solução para certos problemas. Elas se escondem. Esquecem-se de si e em dois ou três tragos, coisificam-se. Algumas pessoas entram em estado de pânico quando precisam pensar e se deparam com a ausência de um cigarro.

Na minha opinião isso denota fraqueza, falta de coragem. São pessoas totalmente entregues ao pior dentre todos os malefícios do cigarro: a mentira que há por trás da fumaça que, invariavelmente, acaba com elas.

A Democracia Tupiniquim

Aristóteles, em seu livro Política, definiu a democracia (demokratia) como sendo um governo injusto comandado por muitos. O termo evoluiu, algumas idéias foram readaptadas e a demokratia do filósofo aproxima-se mais do que nos dias atuais conhecemos como Democracia Representativa.

O Brasil só se lembra de ser um país democrático em época de eleições. E ainda assim, muitas vezes, nota-se uma democracia desvirtuada de suas verdadeiras intenções: proporcionar debate aberto de propostas para questões fundamentais para o bem-estar coletivo.

Lembro-me até hoje do noticiário dando conta de que meia dúzia de policiais federais levavam tevês para o meio do mato, para que um povo que vive às margens da sociedade pudessem ver as propostas dos candidatos e então, votarem. “Viva a democracia”, entoavam com entusiasmo os mais novos rebentos daquilo que no Brasil leva o nome de democracia: a obrigação de votar.

O principal sustentáculo dessa falaciosa democracia é o sufrágio universal (o “voto popular”). Enganam-se os que acham que podemos mudar aquilo com que não concordamos – no âmbito em que nossos representantes podem nos ajudar – no tão aclamado ato de votar. Nossos representantes representam pessoas que não são elegíveis. Não, não é nosso registro na urna que decide os rumos do nosso país.

O povo não decide absolutamente nada. Jornais, revistas e a própria máquina do estado distorcem resultados ao seu bel-prazer. Em época de eleições acontece sempre a mesma coisa, num ciclo vicioso e desmoralizador que simplesmente aniquila qualquer possibilidade de vivermos em uma sociedade democrática.

A última pesquisa DATAFOLHA (intenções de voto para prefeito no Rio de Janeiro) foi interpretada de maneiras diferentes por dois gigantes: Folha e O Globo. A Folha, em campanha voraz pela eleger o já eleito Presidente José Serra, disse que o candidato “Paes cresce, mas continua empatado com Crivella”. Já O Globo diz que “Paes sobe oito pontos e passa Crivella”.

A pesquisa é a mesma, o que muda é a posição, a maneira de passar uma informação (que deveria abster-se de interpretações e opiniões). Marcelo Crivella é ligado à igreja Universal, cujo líder é o empresário Edir Macedo, que é dono da Rede Record, que…

A minha maior dúvida é: podemos tomar alguma atitude para fortalecer a democracia brasileira?