Arquivo para Agosto, 2008

O Brasil nas Olimpíadas de Pequim

Sinceridade

Não foram poucas as vezes, devo confessar, que ouvi de amigos e conhecidos a máxima “eu sou sincero”. E ainda, em situações onde parece sempre cair bem, “desculpe pela sinceridade, mas (…)”. Nunca julguei ninguém por isso. Hoje quero dizer algumas palavras acerca do que penso sobre sinceridade. E verdade.

Em geral, temos o hábito de confundir verdade com sinceridade. Verdade, em uma definição livre, seria tudo aquilo que é puro em sua essência – seja bom, seja ruim. Sinceridade é muito mais que uma extensão de sentido. Ela pode vir a ser a exteorização daquilo que aceitamos como verdade – seja igualmente boa ou ruim.

Para algumas pessoas, a verdade e a sinceridade formam algo incivil. De fato, verdades costumam machucar, mas o que efetivamente as agrava é o modo como elas são exteorizadas. Se uma pessoa aparece com um relógio novo e outrem, de supetão, diz “com toda a sinceridade” que o achou feio, o que dizer? Ela foi apenas sincera, como se diz.

É evidente que a falta de sensibilidade anuvia o brilho de ser verdadeiro e sincero. Uma ação edificante, aniquilada por outra irremediavelmente destrutiva.

Deveria uma pessoa, em dado momento, falsear para não ferir alguém? Não. Devemos, sim, aprender a nos comunicar mais respeitosamente. Devemos aprimorar e evoluir moralmente, mudando, quiça, nossa índole. Ser verdadeiro e sincero são atributos louváveis quando aliados a condutas dignas. Assim, podemos evitar verdades desastrosas, omissões desfiguradas e mentiras descabidas.

Certas verdades continuarão incomodando, ferindo e modelando nossa moral. E nem por isso (ou talvez justamente por isso) devemos sacar do nosso dia-a-dia toda sinceridade de que pessoas livres necessitam.

Como disse Thoreau, “mais que amor, dinheiro, fé, fama, justiça, dê-me verdade”, sem parcimônia, mas com polidez, respeito e educação.

A ganância do ser humano

O mundo inteiro sofre com três crises capitais e de grande amplitude: a crise financeira, a crise energética e a crise alimentar. Essas crises não segregam uma e outra. Pelo contrário, elas combinam e confluem-se. E na busca por uma saída, acabam evidenciando o que provavelmente há de mais sinistro em todo esse sistema: a ganância do ser humano.

As instituições mais endinheiradas sofrem com perdas estimadas em 330 bilhões de dólares até o momento – e contando. O FMI (nada menos que o “Fundo Monetário Internacional”) diz que para sair dessa crise serão necessários 950 bilhões de dólares (a título de comparação: quase metade de todo o PIB brasileiro). E esse dinheiro deverá sair deles mesmos, num processo cíclico e desonesto. Mas não em sua totalidade.

Parte do dinheiro para ocultar a crise virá de países como o Níger, um dos países mais pobres do mundo e que vive em constante estado de guerra civíl. O motivo? Sua abundante riqueza. Transnacionais impiedosamente exploram seu território em busca de urânio, fazendo de Níger o terceiro maior produtor desse metal em todo o planeta. E as pessoas que são naturalmente donas daquelas terras, como é que ficam? Ficam na mesma: alguém tem que perder no sistema em que vivemos.

Fica claro, nesse ponto, que aquilo que me incomoda não é a crise financeira em si. Mas as crises sociais invariavelmente deflagradas por ela. Não consigo digerir a falta de comprometimento das pessoas com seus iguais. Por que tanta ganância e, da outra parte, submissão? Por que não há revolta mesmo sabendo que 80% da riqueza do mundo está concentrada em 20% da população?

Simples: porque não há crise alguma. O povo não reage porque não há crise, não precisamos nos preocupar pois vivemos tal como quis nosso destino, ou nosso(s) deus(es), ou nossos administradores. E somos subservientes a todos eles.

Na opinião de um amigo meu, a única maneira de fazermos o Capitalismo vergar-se é deixando que ele se autodestrua. Isso porque trata-se de um sistema virtualmente perfeito, ainda que uns e outros – como Marx, que em seu fabuloso O Capital disse que “se o capital se distribuísse em partes iguais entre todos os indivíduos da sociedade, ninguém teria interesse em acumular mais capital do que pudesse empregar por si mesmo” – tentem dizer o contrário.

Durma-se bem com tudo isso.