O Homem e a busca pela felicidade

A vida acelerada das grandes cidades parece cercear nossa sensibilidade. Nos desconcentrar, limitar nossa percepção, nos cegar. Em virtude disso, deixamos de apreciar as coisas simples e demasiada humanas desse mundo. Já não me lembro da última vez em que pude andar sem pressa, sem preocupação, sem noção de espaço ou de tempo, sem pensar em nada. Pensar na vida. E também no nada.

É comum encontrar pessoas com uma dificuldade abissal de ficar sem fazer nada. Não se permitem o ócio. O mundo moderno as preocupa, e pior, as condicionam a gostar disso: elas sentem necessidade de ocupar-se de algo. Nesse estado, invariavelmente, deixam de aproveitar o mais natural da vida humana, e fazem da felicidade uns poucos momentos breves e esporádicos. Esquecem-se de que breve é a vida.

Parar e simplesmente admirar tudo o que acontece a nossa volta. Ou então, parar e entender porque o que acontece a nossa volta nos incomoda tanto. Fechar os olhos e pensar. As pessoas parecem fugir delas mesmas. A felicidade as assusta, pois acostumaram-se a fugir de tudo aquilo que as fazem infelizes, ao invés de buscar um estado de felicidade plena. A ausência de infelicidade as satisfazem.

Admiro aquelas pessoas que, mesmo com todos os problemas mundanos, não procuram por detrás das nuvens uma razão para viver; não precisam de algo ou alguém por quem se sacrificar. Os que entenderam que a vida é bela e que não precisam de subterfúgios para aproveitá-la. Não necessariamente fortes, mas certamente não fracos o bastante para sucumbirem a promessa de uma vida melhor, noutro plano, que aquela se tem em terra.

Não sei se é melhor viver em busca da felicidade ou sacrificar-se para que se possa tê-la quando já não se puder mais alcançá-la. Seja lá o que se decida dessa questão, me considero um sonhador em busca contínua. Não detentor dela, mas em busca tenaz. Alcançando-a ou não, tentando me aproximar cada vez mais. Ainda que por vezes eu mesmo duvide disso.

1 Resposta para “O Homem e a busca pela felicidade”


  1. 1 EvAnDrO vEnAnCiO Julho 20, 2008 às 4:45 pm

    Acredito que o grande problema seja justamente a felicidade. As pessoas, em um estado condicionado e alienado, saem para as ruas como se fossem uma espécie de ser-smile, onde nada mais parece abalar a sua felicidade.

    A felicidade é adquirida através de um carro novo, de um videogame, de um aparelho celular, e tanto outros apetrechos, que é quase impossível não ser feliz nos dias de hoje. Mas é aí que mora o perigo. A barbárie e a corrupção nos rodeia e continuamos cada vez mais indiferentes aos acontecimentos.

    Ser feliz é um estado que atrapalha o desenvolvimento do homem, justamente porque ela é absoluta: quando o homem a encontra nada mais faz sentido, visto que não há razão para mudar mais nada. Um homem feliz é um homem que está satisfeito com a sua vida e com o mundo. Para que haja evolução, o homem deve ser pessimista, desconfiado e irrealizável.

    Não é a toa que todos os grandes nomes da história são figuras excêntricas, perturbadas, de fisionomia séria, quando não tristes, pois estes não estavam realizados com o mundo e a vida a qual viviam. Na dúvida filosófica realizaram grandes feitos e descobertas.

    Talvez a busca pela felicidade seja um erro, afinal este estágio jamais poderá levar alguém a lugar nenhum, apenas um alívio anestésico e aparente para as angústias e aflições provenientes de um mundo sem sentido e sem significação.


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