Arquivo para Julho, 2008

A posição da imprensa no caso Daniel Dantas

A grande imprensa brasileira parece já ter esquecido de Daniel Dantas, o homem por trás da maior patranha política e econômica jamais vista. É deprimente, revoltante. A não ser que eles também estejam envolvidos nisso, que motivo levaria-os a tamanha indiferença?

O caso da garota arremessada pela janela reinou absoluto nos órgãos de informação desse país. Foi destaque nos órgãos sérios e nos que não devemos levar a sério. O pior de tudo foi que nós, brasileiros, nos interessamos tanto pelo caso que fomos às ruas protestar, pedir justiça. Nos envolvemos em um caso que parecia ser nosso. Que a mídia quis que fosse nosso. Mas não era.

A menina morreu, alguém a arremessou – provavelmente o pai, após investigação sem pressão e isenta de emoções -, e aceitemos ou não, acabou aí. Não há o que refletir. Uma morte e o absurdo que ela é. Contudo, a morte foi tratada de uma maneira que nos submeteu a algo para além da própria morte. Um amigo meu, filósofo, explica esse fenômeno através da hiper-realidade.

Daniel Dantas parece ter comprado metade do Brasil, e a outra metade sofre com isso, porque fica sem acesso às informações que certamente nos revoltariam. Enquanto isso, revisão de leis existentes e novos projetos de lei são ventilados para que operações como a Satiagraha não sejam executadas nunca mais (veja).

Nossas atenções são desviadas com listas de candidatos burros e com o cotidiano de uma família que vive na inglaterra.

Ainda bem que existem jornalistas sérios e competentes, verdadeiramente comprometidos com os interesses de um povo carente de verdades. Eu falo de Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha e Mino Carta. Poderia citar alguns outros, mas tenho certeza de que esses três representam muito bem os jornalistas de quem eu falo.

Uma cultura de imposições religiosas

Em nome de Deus – o da bíblia -, milhões de pessoas mataram e morreram. A bíblia – da qual pinga sangue, como diz um amigo meu – e fatos mais recentes de nossa história deixam claro que o nome de Deus é utilizado como pretexto para genocídios, verdadeiras carnificinas, atentados e muito mais.

A religião vem sendo utilizada como principal arma de guerra, mascarando diversos interesses políticos e econômicos. Como exemplo, posso citar o lamentável atentado às torres gêmeas, nos Estados Unidos, em 11 de Setembro de 2001, onde três mil pessoas morreram, cinco pessoas foram condenadas e várias corporações expandiram seu capital de maneira descomunal.

Do lado de cá, ouvimos falar constantemente das tais “Guerras Santas” – conhecida por alguns como “Jihad” – que acontecem no oriente médio. Eles lutam por ideais religiosos, que estão bem acima do Deus que adoram. Muitos deles sequer conhecem esse Deus, mas matam e morrem por Ele diariamente. A história os condicionou a seguirem esses passos sem sequer questionar as motivações.

No Brasil, por ser um Estado Laico – o que denota indiscriminação religiosa -, os cidadãos podem escolher a religião que querem seguir. Ou então, seguir sem nenhuma delas. Independente de sua escolha, você poderá viver em uma sociedade sob leis éticas e morais igualitárias (até que nos provem o contrário).

A despeito disso, um projeto de lei do Deputado Estadual do Paraná, Mauro Moraes, visa implantar um programa intitulado “Minha primeira bíblia” nas escolas públicas estaduais. A justificativa do projeto é: “através da fé, amenizar os problemas sociais que vem sendo enfrentado por todos nós. Independentemente de credo, só o fato de se possuir uma religião, contribui para afastar, principalmente os jovens, dos males que os rondam.”

Dependendo da interpretação do texto, temos aí um projeto que ruma a contra-mão dos princípios estipulados pela lei nº 9.475, de 22.7.1997, que diz não ser permitido favorecer uma única crença no ensino religioso das escolas públicas do ensino fundamental.

A não ser que distribuam junto à Bíblia Cristã, uma cópia do Alcorão, uma cópia do Torá e alguns dos livros do Allan Kardec, estaremos fadados às imposições religiosas em plena era digital; da informação de fácil acesso. Imposições são feitas em uma sociedade dominada pelo ditatorialismo, não em república democrática como a que almejamos ser.

Visando um maior esclarecimento sobre o assunto, enviei um e-mail para o Deputado (e o mesmo pode ser feito por você, clicando aqui). Mesmo não fazendo parte do corpo de eleitores de seu estado, espero que ele dê atenção às minhas dúvidas.

Cosmos, série completa

Cosmos, para os mais desavisados, foi uma série de TV realizada por Carl Sagan e sua esposa, Ann Druyan. Veiculada originalmente em 1980, é até hoje o maior exemplo de como a ciência pode ser didática e acessível. A versão escrita dessa série é até hoje o livro de divulgação científica mais vendido da história.

No Brasil, a série “Poeira nas Estrelas”, apresentada pelo cientista Marcelo Gleiser, no Fantástico, em 2006, foi feita nos mesmos moldes. Se você acompanhou a série e se interessou, precisa assistir “Cosmos”.

Na série, o talento de Carl Sagan fica evidente desde suas primeiras palavras. Ele dominava muito bem a arte de comunicar-se, e é maravilhoso sentir como ele realmente amava a vida, a natureza, o universo e todos os seus mistérios. Ele não queria passar essa imagem: era absolutamente natural e indisfarçável.

Recentemente descobri que a série e suas 13 horas podem ser vistas integralmente através do Google Video. Abaixo, a relação de todos os episódios. Eles seguem uma ordem cronológica importante, e apesar de estarem listados separadamente, não recomendo que sejam vistos de maneira aleatória.

Episódio 1 – Os Limites do Oceano Cósmico
Episódio 2: Uma Voz na Sinfonia Cósmica
Episódio 3: A Harmonia dos Mundos
Episódio 4: Céu e Inferno
Episódio 5: O Blues do Planeta Vermelho
Episódio 6: A Saga dos Viajantes
Episódio 7: A Espinha Dorsal da Noite
Episódio 8: Viagens no Espaço e no Tempo
Episódio 9: As Vidas das Estrelas
Episódio 10: O Limiar da Eternidade
Episódio 11: A Persistência da Memória
Episódio 12: Enciclopédia Galáctica
Episódio 13: Quem Pode Salvar A Terra?

O Homem e a busca pela felicidade

A vida acelerada das grandes cidades parece cercear nossa sensibilidade. Nos desconcentrar, limitar nossa percepção, nos cegar. Em virtude disso, deixamos de apreciar as coisas simples e demasiada humanas desse mundo. Já não me lembro da última vez em que pude andar sem pressa, sem preocupação, sem noção de espaço ou de tempo, sem pensar em nada. Pensar na vida. E também no nada.

É comum encontrar pessoas com uma dificuldade abissal de ficar sem fazer nada. Não se permitem o ócio. O mundo moderno as preocupa, e pior, as condicionam a gostar disso: elas sentem necessidade de ocupar-se de algo. Nesse estado, invariavelmente, deixam de aproveitar o mais natural da vida humana, e fazem da felicidade uns poucos momentos breves e esporádicos. Esquecem-se de que breve é a vida.

Parar e simplesmente admirar tudo o que acontece a nossa volta. Ou então, parar e entender porque o que acontece a nossa volta nos incomoda tanto. Fechar os olhos e pensar. As pessoas parecem fugir delas mesmas. A felicidade as assusta, pois acostumaram-se a fugir de tudo aquilo que as fazem infelizes, ao invés de buscar um estado de felicidade plena. A ausência de infelicidade as satisfazem.

Admiro aquelas pessoas que, mesmo com todos os problemas mundanos, não procuram por detrás das nuvens uma razão para viver; não precisam de algo ou alguém por quem se sacrificar. Os que entenderam que a vida é bela e que não precisam de subterfúgios para aproveitá-la. Não necessariamente fortes, mas certamente não fracos o bastante para sucumbirem a promessa de uma vida melhor, noutro plano, que aquela se tem em terra.

Não sei se é melhor viver em busca da felicidade ou sacrificar-se para que se possa tê-la quando já não se puder mais alcançá-la. Seja lá o que se decida dessa questão, me considero um sonhador em busca contínua. Não detentor dela, mas em busca tenaz. Alcançando-a ou não, tentando me aproximar cada vez mais. Ainda que por vezes eu mesmo duvide disso.

Para além da Constituição e de suas interpretações

No Brasil, as coisas invariavelmente acontecem assim: pobre que rouba vai pra cadeia. Rico que mata, tira a vida de um ser humano e confessa o crime, fica em liberdade. Não que o pobre – em questão, uma empregada doméstica, desempregada, mãe de duas crianças, rebento de um sistema falho (?), onde pessoas sofrem para se alimentar – tenha que ficar em liberdade. Seria uma injustiça para com aqueles que precisam pagar pra ter em suas mesas um singelo pote de manteiga.

A constituição brasileira mudou sete vezes até hoje: Império, República, Revolução de 1930, Estado Novo, Constituição de 1946, Ditadura Militar e Redemocratização. O típico caso em que “se muda tudo para continuar a mesma coisa”. Não que nada tenha mudado. A constituição, a lei escrita, mudou. Os privilégios é que não mudaram.

Em nossa história, dificilmente encontraremos pessoas influentes, ricas, poderosas, culpadas e castigadas. Esse cenário me é tão distante quanto o mundo idealizado por Mahatma Gandhi, que de seus ensinamentos fora retirada a expressão Satyagraha, que em sanscrito quer dizer algo como “busca pela verdade”. Gandhi, que idealizou uma sociedade fundamentada em leis que estivessem verdadeiramente comprometidas com a coletividade, foi homenageado pela Polícia Federal e sua Operação Satiagraha. O caso mais recente de nossa breve história.

Nesse caso, temos Daniel Dantas, a Polícia Federal e o Supremo Tribunal de Justiça. A PF e o aparentemente sério delegado Protógenes Queiroz prenderam o todo poderoso D. Dantas, mas Gilmar Mendes, presidente do STJ, mandou soltar. São questões interpretativas justificadas por uma só constituição, mas várias justiças diferentes: a justiça federal, a opinião pública e o supremo tribunal federal.

A opinião pública envergonha-se, reclama direitos iguais. A justiça federal acusa, prende, prova e, de quebra, ganha os holofótes da mídia. O supremo veste-se com capas negras, bem acima de nós, e faz o que quiser.

Se Dantas for condenado a uma pena minimamente condizente com seus crimes, o episódio poderá servir de precedente para que o Brasil se torne, de fato, um país Democrático.

O vegetarianismo e a vontade de mudar o mundo

Até hoje, muitos amigos me questionam se uma dieta vegetariana pode efetivamente ajudar a melhorar o mundo em que vivemos em âmbito ambiental e social. Eu sempre digo que não só pode como transcende essas questões: o vegetarianismo prega o equilíbrio ecológico – e a inerente preservação do meio-ambiente -, o respeito indistinto pelos animais, uma melhor distribuição alimentar e, não obstante, o cuidado com a própria saúde e bem-estar.

Cada um dos aspectos que me fizeram aderir uma dieta vegetariana no dia-a-dia certamente traria informação para bem mais que um só post. Contudo, minha idéia é fomentar a discussão e pesquisas sobre o assunto. Por isso, abordarei cada um dos temas da maneira mais sucinta possível.

Preservação do meio-ambiente
A preservação do meio-ambiente é assunto recorrente em praticamente todos os meios de comunicação. O planeta está doente, tem câncer, e os culpados são os outros. Decerto, as coisas não deveriam ser assim. E ainda que nossa cultura seja a de explorar, produzir, consumir e descartar sem nenhum critério, temos escolhas que nos permitem minimizar os impactos causados pelos interesses (econômicos e culturais) de uma sociedade cada vez mais sedenta por regalias.

A criação de gado é uma importante fonte de poluição. Além dos recursos utilizados durante todo o processo (recursos hídricos, principalmente), os resíduos e os gases gerados contaminam o solo, a água e o ar. Uma fazenda com 5 mil cabeças de gado, por exemplo, produz a quantidade de excrementos que produziria uma cidade com 50 mil humanos. Todos os dias, cada vaca produz cerca de 40 kg de esterco seco e cada porco produz entre 5 kg e 9 kg de urina e fezes. (fontes: GoVeg e USDA)

Entre 1990 e 2003, o rebanho bovino da Amazônia Legal cresceu 240% e passou de 26,6 milhões para 64 milhões de cabeças de gado. A taxa média de crescimento foi 10 vezes maior do que no restante do país, respondendo por 33% do rebanho nacional. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, em 2007, 75% da área desmatada na Amazônia era ocupada pela pecuária. Até então, já eram 70 milhões de bovinos, e um terço estava no Mato Grosso. (fontes: IMAZON e Natureba)

A legislação brasileira é rigorosa com relação à poluição industrial e a ocupação ilegal da Amazônia. O grande problema, como em praticamente todos os casos, é a falta de fiscalização, pois, a aplicação das leis não só cercearia o desmatamento e a poluição, mas inviabilizaria completamente a atividade – e não há o menor interesse econômico nisso. Enquanto isso, o planeta sofre.

Respeito pelos animais não-humanos
Peter Singer, em seu fenomenal livro “Libertação Animal”, disse que certa vez, ao ser convidado para tomar café na casa de um casal que dizia adorar animais, ofereceram-lhe um sanduíche de presunto. Um paradoxo, não fosse a atitude do casal tão natural.

Cachorros e gatos de estimação são seres sencientes, assim como o são vacas, porcos e galinhas. Em outras palavras, a dor e o sofrimento podem ser experienciados por todos eles. Aliás, somente os animais (embora nem todos) podem ser sencientes, na medida em que, tanto quanto se sabe, são os únicos seres vivos dotados de um sistema nervoso capaz de permitir a experiência do sofrimento.

Toda experiência dolorosa é ruim para quem tem a capacidade de tê-la (salvo situações em que, biologicamente, a dor pode servir como fuga, alerta ou via necessária para atingir um estado benéfico de saúde). Isso posto, podemos dizer que todo ser senciente tem interesse evidente em evitar experiências que possam lhe causar dor ou sofrimento (físico e psiquico).

Admitindo que nosso sistema nervoso é muito semelhante ao de animais não-humanos – igualmente sencientes -, podemos afirmar seguramente que eles podem experienciar dor e sofrimento semelhantes aos nossos. Por que, então, continuamos tratando-os de maneira pouco racional, estúpida e injusta?

Chegará um dia em que o especismo será considerado inaceitável, tal como já ocorreu, na maioria das sociedades, com o sexismo e também com o racismo. Há ainda pelo menos 10 razões que todos deveriam levar em consideração antes de comer porcos, galinhas e vacas.

Distribuição alimentar e a fome no mundo
Nosso sistema de produção alimentar é caro e ineficiente. A produção de carne e frutos do mar é o mais custoso e não é capaz de alimentar nem metade da população mundial, o que implica em preços que inviabilizam o acesso às camadas mais pobres.

A quantidade de vegetais utilizados na alimentação de animais não-humanos que exploramos, criamos e matamos seria suficiente para dizimar a fome em todo o mundo.

No Brasil, quase metade dos cereais aqui produzidos são destinados à alimentação de animais não-humanos. O feijão, presente em quase todas as mesas brasileiras, cedeu terreno à soja, que em quase sua totalidade é exportada para alimentar animais de criação, abate e corte. (fonte: veginfos)

Enquanto isso, muitos seres humanos ainda morrem de fome. Membros de nossa própria espécie, e ainda assim, nos mantemos intoleravelmente indiferentes à eles. Mas, se levarmos em consideração a indiferença com que tratamos outros animais, apesar de lamentável, isso não nos deveria causar espécie.

Benefícios à saúde
O consumo de carne está associado a vários problemas de saúde, sendo muitos deles de gravidade extrema, como cânceres, problemas cardio-vasculares e obesidade. A despeito disso, uma dieta vegetariana trás benefícios indizíveis à saúde humana. De fato, estudos comprovam que vegetarianos integrais (ou “vegans”) possuem expectativa de vida bem superior aos não-vegetarianos. (fontes: BBC, Ação Animal, Sítio Veg)

Mas, reconhecidamente, essa é uma matéria que ainda está aberta a discussões. A indústria da carne possui bons (?) argumentos para nos dizer que comer carne moderadamente faz muito bem à saúde, como podemos ver aqui e aqui, para citar algumas fontes contrárias àquilo que defendi no parágrafo anterior.

A vontade de mudar o mundo
O vegetarianismo nos ajuda a pensar num mundo mais ético, nos faz buscar um mundo melhor. Faz-nos enxergar diversas injustiças camufladas por nossa cultura e por pessoas cada vez menos interessadas pelo bem-estar de todos, cada vez mais preocupados com seus próprios umbigos.

Livro Livre

“O mundo é uma grande biblioteca”. Esse é o slogan do novo projeto de iniciativa do Jornal de Debates, chamado Livro Livre. A idéia é difundir o hábito da leitura e, obviamente, formar novos leitores.

O projeto prega que não devemos nos apegar aos livros, mas às suas idéias; ao conhecimento e cultura por ele transmitido. Depois disso, devemos “passá-lo adiante” para que outras pessoas façam o mesmo, num processo único e sem fim previsível.

Ou seja, se você leu um livro que gostou muito e gostaria que outras pessoas também o lessem, vá até o Livro Livre, cadastre-o, cole a etiqueta sugerida pelo projeto e, em seguida, deixe-o em um local público – de preferência com bastante movimento – para que outras pessoas possam pegá-lo.

O conceito vem do BookCrossing, que já possui quase 500 milhões de livros registrados por seus quase 700 mil membros. Isso tudo em sete anos de existência. Vamos torcer (e contribuir, principalmente) para que o projeto dê certo também aqui no Brasil.