Entre 1894 e 1917, o Czar da Rússia foi Nicolau II, também o último da história. À época, a Rússia vivia em situação de extrema pobreza e desigualdade social – cerca de 90% da população não sabia ler e escrever; estavam totalmente entregues aos senhores feudais da época. Seu antecessor, Alexandre III, retomou com vigor um regime monárquico absolutista, praticamente anulando todos os benefícios proporcionados ao povo por Alexandre II, seu pai.
Nicolau II foi quem facilitou a entrada de capitais estrangeiros para promover a industrialização do país. O Capitalismo Russo iniciava uma forte ascensão, amparado por uma classe operaria de aproximadamente três milhões de pessoas, que recebiam salários miseráveis e eram submetidas a jornadas de 12 a 16 horas diárias de trabalho.
Junto do capital estrangeiro, vieram novas correntes políticas que, paradoxalmente, batiam de frente com a política do governo Russo. A condição insustentável do país, principalmente devido à exploração operária, foi a motivadora para que correntes e ideais socialistas florecessem. Dentre as principais, destacava-se a corrente inspirada no marxismo: a do Partido Operário Social-Democrata Russo. Cinco anos após a fundação do partido, conflitos internos de ideais culminaram na divisão entre os Partidos Mencheviques e Bolcheviques. Este último, liderado por Lenin.
Os bolcheviques defendiam uma mudança radical de política para seu povo, defendendo uma revolução socialista armada, caso necessário. Os mencheviques defendiam uma revolução moderada, permitindo primeiro a democracia e só depois o socialismo.
Nessa época, o primeiro movimento espontâneo, de cunho social e anti-governamental, e que se espalhou por toda a Russia, foi a chamada “Revolta Russa de 1905″, que deu-se logo após o término da guerra com o Japão, sustentada pela disputa de território na Coréia e na Manchúria. O exército Russo teve desempenho desastroso, o que culminou na falta de confiança no império por parte do povo. O principal acontecimento dessa revolta ficou conhecido como “Domingo sangrento”. A revolta terminou com um massacre do povo. Posteriormente, Lenin disse que ela serviu como um ensaio geral para a Revolução Russa de 1917.
Estoura, então, a Primeira Guerra Mundial, onde a Russia sofreu severas derrotas nos combates com os Alemães. A guerra, obviamente, cerceou ainda mais a distribuição de alimentos e medicamentos, provocando uma enorme crise no já debilitado governo Russo. O povo, novamente, se revolta. No dia 2 de Março de 1917, Nicolau II abdica o trono. Treze dias depois, forças políticas de oposição (basicamente composta de socialistas) assassinam Nicolau II e sua familia. Era o início da Revolução Russa.
Os ideais socialistas, algumas das teorias de Marx e Engels postas em prática, manobras políticas, guerra civíl, ascensão ao poder. Tudo isso é possível de ser observado durante a revolução e, principalmente, depois dela, quando Lenin persegue a criação de uma Ditadura e, posteriormente, Stalin consegue atingi-la. É provável que eu volte a falar especificamente disso num futuro próximo.
O site vermelho.org possui uma área entitulada “Cadernos de Formação Marxista”, a qual divulga algumas das publicações de Karl Marx e Friedrich Engels, os fundadores do Socialismo, além de obras de Lenin, revolucionário Russo, líder do Partido Comunista e principal responsável pela Revolução Russa, fortemente sustentada pelos ideais Marxistas.
Apesar de polêmica, a obra de Karl Marx é de referência praticamente obrigatória nos estudos das sociedades (em âmbito político, principalmente) atuais. Antes de tudo, Marx foi um revolucionário, mas teve influência no campo filosófico, tendo sido considerado, ao lado de nomes como Kant e Hegel, um grande filósofo alemão. Um dos maiores pensadores de todos os tempos.
Marx não acreditava que o Socialismo era a solução para todos os problemas. Era apenas um estado intermediário para o Comunismo – este sim seria o sistema justo e definitivo. Porém, o Comunismo, segundo suas próprias palavras, é impensável sem antes estabelecermos uma sociedade Socialista.
Excelente post!
Só para complementar, a revolução russa liderada por Stálin e seus ideais de socialismo iriam, posteriormente, unificar uma grande parte de países num único conhecido como U.R.S.S. ou, “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas”.