Arquivo para Junho, 2008

Um sistema em crise

A economia mundial não pára de crescer. Isso é sabido. O que alguns provavelmente não saibam são os meios mais comuns do crescimento: a estimulação do consumo. As pessoas estão consumindo cada vez mais, produtos que duram cada vez menos. Compram produtos que fazem a mesma coisa, para resolver problemas que não existiam; para satisfazer prazeres criados pela própria indústria.

Como mostra o vídeo abaixo, esse é um sistema linear cíclico (explorar, produzir, consumir, descartar), em um mundo finito. Não há a menor possibilidade de continuarmos dessa maneira. As pessoas precisam mudar suas atitudes. Precisam entender que o sistema em que vivemos não funciona e está sufocando nosso planeta.

Nesse post, não me estenderei. Mas, por ser um assunto recorrente, cada vez mais discutido em nossa sociedade, é bem provável que eu volte mais tarde com mais de minhas frustrações.

O vídeo abaixo, intitulado “A história das coisas”, é fácil de entender. Possui apenas 20 minutos (de informação efetiva) e vale muito a pena. No Google Video – e também aqui, basta dar o play aí embaixo – é possível assistir com legendas em português.

Caso queiram se aprofundar nas origens do sistema em que vivemos, recomendo que assistam ao documentário Zeitgeist. Trata-se um filme extremamente reflexivo, investigativo e instigante. Ele também  pode ser visto com legendas em português no Google Video, através deste link.

As origens do Socialismo

Thomas More, que viveu entre 1478 e 1535, em sua obra entitulada “Utopia” – termo por ele inventado -, descreve uma sociedade organizada, racional. Fala sobre igualdade, distribuição de propriedades e de força de trabalho igualitários. Ainda que na forma de um romance, foi um dos primeiros a esboçar a idéia de Socialismo tal como o que outros pensadores fariam mais tarde.

Podemos encontrar em ensaios como os de Platão, ou em livros de história do Império Romano, idéias, pensamentos e passagens que nos remetem à sociedades vivendo indistintamente entre si. Mas ninguém, até então, havia esboçado um sistema político-social igualitário. Nem mesmo Platão e sua “A República”.

As teorias socialistas surgem como reação à desigualdade observada nas sociedades capitalistas a partir de meados do século XVIII -, mas principalmente a partir do século XIX, com o avanço da Revolução Industrial mundo afora. Todas as teorias objetivavam a vida social harmoniosa, que só poderia ser atingida através de mudanças radicais no mundo como se afigurava.

Toda e qualquer idéia Socialista anterior ao século XIX foi denominada de Socialismo Utópico. O Socialismo Científico foi desenvolvido por Marx e Engels – e também é conhecido como Socialismo Marxista. Diferentemente do Socialismo Utópico, este apresenta uma análise crítica e profunda da realidade política e econômica, da evolução da história, das sociedades e, não obstante, do Capitalismo.

Politicamente, o Socialismo surge não como uma maneira de acabar com o Estado. Muito pelo contrário. Como em qualquer sistema de classes, o Estado é parte fundamental, pois precisa garantir a ordem e o domínio das classes. No Capitalismo, o Estado possui uma estrutura que visa favorecer o domínio dos que detém a maior parte em dinheiro, os empresários; os proprietários. No Socialismo marxista, o domínio estatal devia ser dos trabalhadores.

Como dito anteriormente, Karl Marx não defendia a idéia de que o Socialismo era o sistema ideal. Mas era via obrigatória para o supra-sumo dos sistemas sócio-políticos. Para se chegar a ele, o proletariado não deveria ser reduzido, mas abolido. Assim como o trabalho assalariado, fazendo com que toda a produção econômica se adequasse às necessidades da população. Esse, segundo Marx, era o caminho para o Comunismo.

Cadernos de formação Marxista

Entre 1894 e 1917, o Czar da Rússia foi Nicolau II, também o último da história. À época, a Rússia vivia em situação de extrema pobreza e desigualdade social – cerca de 90% da população não sabia ler e escrever; estavam totalmente entregues aos senhores feudais da época. Seu antecessor, Alexandre III, retomou com vigor um regime monárquico absolutista, praticamente anulando todos os benefícios proporcionados ao povo por Alexandre II, seu pai.

Nicolau II foi quem facilitou a entrada de capitais estrangeiros para promover a industrialização do país. O Capitalismo Russo iniciava uma forte ascensão, amparado por uma classe operaria de aproximadamente três milhões de pessoas, que recebiam salários miseráveis e eram submetidas a jornadas de 12 a 16 horas diárias de trabalho.

Junto do capital estrangeiro, vieram novas correntes políticas que, paradoxalmente, batiam de frente com a política do governo Russo. A condição insustentável do país, principalmente devido à exploração operária, foi a motivadora para que correntes e ideais socialistas florecessem. Dentre as principais, destacava-se a corrente inspirada no marxismo: a do Partido Operário Social-Democrata Russo. Cinco anos após a fundação do partido, conflitos internos de ideais culminaram na divisão entre os Partidos Mencheviques e Bolcheviques. Este último, liderado por Lenin.

Os bolcheviques defendiam uma mudança radical de política para seu povo, defendendo uma revolução socialista armada, caso necessário. Os mencheviques defendiam uma revolução moderada, permitindo primeiro a democracia e só depois o socialismo.

Nessa época, o primeiro movimento espontâneo, de cunho social e anti-governamental, e que se espalhou por toda a Russia, foi a chamada “Revolta Russa de 1905″, que deu-se logo após o término da guerra com o Japão, sustentada pela disputa de território na Coréia e na Manchúria. O exército Russo teve desempenho desastroso, o que culminou na falta de confiança no império por parte do povo. O principal acontecimento dessa revolta ficou conhecido como “Domingo sangrento”. A revolta terminou com um massacre do povo. Posteriormente, Lenin disse que ela serviu como um ensaio geral para a Revolução Russa de 1917.

Estoura, então, a Primeira Guerra Mundial, onde a Russia sofreu severas derrotas nos combates com os Alemães. A guerra, obviamente, cerceou ainda mais a distribuição de alimentos e medicamentos, provocando uma enorme crise no já debilitado governo Russo. O povo, novamente, se revolta. No dia 2 de Março de 1917, Nicolau II abdica o trono. Treze dias depois, forças políticas de oposição (basicamente composta de socialistas) assassinam Nicolau II e sua familia. Era o início da Revolução Russa.

Os ideais socialistas, algumas das teorias de Marx e Engels postas em prática, manobras políticas, guerra civíl, ascensão ao poder. Tudo isso é possível de ser observado durante a revolução e, principalmente, depois dela, quando Lenin persegue a criação de uma Ditadura e, posteriormente, Stalin consegue atingi-la. É provável que eu volte a falar especificamente disso num futuro próximo.

O site vermelho.org possui uma área entitulada “Cadernos de Formação Marxista”, a qual divulga algumas das publicações de Karl Marx e Friedrich Engels, os fundadores do Socialismo, além de obras de Lenin, revolucionário Russo, líder do Partido Comunista e principal responsável pela Revolução Russa, fortemente sustentada pelos ideais Marxistas.

Apesar de polêmica, a obra de Karl Marx é de referência praticamente obrigatória nos estudos das sociedades (em âmbito político, principalmente) atuais. Antes de tudo, Marx foi um revolucionário, mas teve influência no campo filosófico, tendo sido considerado, ao lado de nomes como Kant e Hegel, um grande filósofo alemão. Um dos maiores pensadores de todos os tempos.

Marx não acreditava que o Socialismo era a solução para todos os problemas. Era apenas um estado intermediário para o Comunismo – este sim seria o sistema justo e definitivo. Porém, o Comunismo, segundo suas próprias palavras, é impensável sem antes estabelecermos uma sociedade Socialista.

John McCain: Alex, não!

Transcrição:

“Olá, John McCain. Este é o Alex. Ele é o meu primeiro [filho]. Até agora os seus talentos incluem experimentar qualquer nova comida e dá-las para o cachorro experimentar. Isto, e fazer o meu coração bater toda vez que olho para ele.

Então, John McCain, quando você diz que ficaríamos no Iraque por 100 anos, você está contando com o Alex? Porque se você estiver, você não pode tê-lo.”

Temporada de caça às bruxas?

O TSE já disse que vai permitir a candidatura de candidatos com ficha suja, desde que não tenham sido condenados em última instância (Supremo Tribunal Federal). Ou seja, qualquer um poderá se candidatar.

Tudo bem, mas, pelo menos a lista das sujeiras feitas pelos candidatos serão divulgadas ao grande público, certo? Errado. Nem isso o TSE confirmou, até o presente momento. O presidente do tribunal, o ministro Carlos Ayres Britto, disse que eles estão estudando forma de divulgar esses dados. Uma das idéias em estudo é publicá-los no site do próprio TSE ou nos sites dos TREs, como no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

Eu acho isso tudo um absurdo. Não deveriam ser aceitas candidaturas de ninguém que já tenha sido condenado em primeira ou segunda instância. Em última instância, político algum é condenado. Em última instância, instituições são condenadas. Pessoas e principalmente políticos, não são. O pior é que não há nenhuma explicação “que dê para engolir” sobre a não barração de candidatos sujos.

Felizmente, nem todo mundo dá de ombros para esse tipo de coisa. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral apresentou, nesta segunda-feira, dia 16 de Junho, o texto de um projeto de lei de iniciativa popular que visa impedir candidaturas de quem já tenha sido condenado em primeira ou segunda instância, ou cuja denúncia, apresentada pelo Ministério Público, tenha sido aceita.

É o tipo de movimento que nos faz acreditar que alguma coisa ainda pode mudar. O projeto é excelente, a proposta é absolutamente democrática e tem como base tudo o que a sociedade quer: transparência. Uma candidatura minimamente transparente.

Assuntos em discussão na Assembléia Legislativa

Alguém poderia me explicar o que o deputado Coronel Jairo, do PSC, fez durante a leitura obrigatória dos assuntos em discussão na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro? Que jogo ele estava transmitindo?

Como você conhece o mundo? Uma palavra sobre Ceticismo.

A pergunta, devido sua imprecisão, dá-nos margem para pensar em um bocado de respostas plausíveis. A maioria delas certamente sustentada por nossa experiência mundana, aquela que adiquirimos no dia-a-dia. Contudo, como sabemos que aquilo que dizemos conhecer é necessariamente uma verdade?

Um exemplo para desanuviar meu raciocínio: muitos poderiam dizer que são pais e mães de seus filhos. Mas eles poderiam ter sido trocados na maternidade e, nesse caso, estarem enganados a esse respeito. Poderiam, então, notar que estavam enganados a respeito de diversas outras coisas.

O que temos, na maioria das vezes, são crenças. Algumas logicamente plausíveis. Outras, nem tanto. Mas nenhuma delas verdades irrefutáveis. Por isso, a ciência e a filosofia criam parâmetros para examinar nossas crenças e verificar quais são realmente certas e quais são efetivamente falsas.

Não é difícil encontrar grupos de pessoas que acreditam naquilo com o que não concordamos. Eles acreditam em uma verdade que não aceitamos. Nesse caso, como decidir quem está certo e quem está definitivamente errado?

O Ceticismo Filosófico tenta estabelecer as condições para que algo seja tomado como verdade absoluta, ou seja, uma verdade que independa de fatores circunstanciais, algo que não seja verdadeiro somente para mim ou somente para um grupo de pessoas, mas para todos os seres racionais. Uma espécie de condição universal para a verdade, que independa de opiniões particulares.

O ceticismo filosófico teve origem na grécia e uma de suas primeiras propostas foi feita por Pirro de Elis, que viveu entre 360 e 275 a.C. Diz a lenda que o filósofo morreu enquanto dava aula a seus discípilos, de olhos vendados. Um deles o teria alertado sobre um precipício. O filósofo não acreditou e acabou caindo.

Obviamente, essa é uma lenda que visa nos dizer a dimensão dos problemas ocasionados devido ao ceticismo cego. Como em tudo, devemos ser suficientemente inteligentes para saber balancear o ceticismo em doses sensatas. Manter crença em tudo, bem como negar tudo ao invés de duvidar e investigar, geralmente não nos ajuda conhecer o mundo de maneira autêntica, onde a verdade absoluta talvez nem exista, e seja, como disse Nietzsche, somente um ponto-de-vista.

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