O que você faria se soubesse que lhe restam poucos dias de vida? Comeria tudo aquilo que deixara de comer em prol de uma saúde melhor? Iria atrás daquela velha amizade cujo tempo cuidou de interrompê-la? Visitaria todos os parentes com quem não tem tanto contato? Certamente, sobraria imaginação em uma situação como esta.
Um professor norte-americano chamado Randy Pausch, de 45 anos, descobriu que tinha um câncer agressivo no pâncreas em setembro de 2006. Um ano de cirurgias e tratamento específico não foram suficientes para impedir as metástases. Há nove meses, os médicos lhe deram de três a seis meses de vida.
A primeira atitude de qualquer um seria abandonar o emprego. E com Pausch não foi diferente. Só que, ao abandonar sua cadeira na Universidade de Carnegie Mellon, ele deu aos seus alunos o que ficou conhecido lá (como cá) como sendo “A última aula”. O tema, na minha opinião, não poderia ser mais brilhante: que conhecimento transmitir ao mundo quando você sabe que essa é sua última oportunidade?
Algumas passagens merecem destaque, como quando ele diz para que “nunca subestimemos a importância de nos divertir”, e prossegue dizendo que “está morrendo, mas está se divertindo”. Uma lição que todos deveriam levar a sério, pois certamente tornaria nosso mundo um lugar melhor pra se viver.
A ironia é que para a maioria das pessoas (não me excluo, inclusive), o valor da vida fica mais claro quando o tempo em relação à morte fica mais curto. Cabe pensar de vale a pena pensarmos e agirmos tanto pelo futuro e deixarmos o presente de lado, trocando a certeza de que o presente existe por uma aposta inconsistente num futuro que pode não vir.
Com certeza, uma aula sobre a vida seria um grande aprendizado para cada um de nós.