Evolução

Num passado já distante, nos primórdios da humanidade, havia um certo espírito coletivo: terra e caça eram compartilhadas, não existiam propriedades privadas e as pessoas conviviam em pequenas comunidades. Elas se preocupavam em suprir suas necessidades, bem como as do próximo, sem excessos.

Com o passar do tempo, as descobertas territoriais e a ganância do homem fizeram com que povos mais fracos, desprovidos de inteligência belicista e desejo de expansão fossem colonizados, explorados e escravizados. Era o fim da coletividade, do convívio natural, com espaço para todos. O homem tornava-se, enfim, escravo do próprio homem.

Depois de algum tempo, inicia uma nova relação entre o Homem e seus menos iguais: na luta pela subsistência, servos ganhavam um pedaço de terra e trabalhavam para seus senhores feudais. Parte ficava com os servos, e todo o resto com o proprietário das terras. Essa relação perdurou boa parte de nossa história.

Do aumento populacional e outros fatores, surgia a oportunidade de comércio. Era a chance de o servo obter capital através da – sua própria – produção excessiva. O feudalismo cedia espaço para um sistema econômico mais eficiente. E definitivamente após a Revolução Industrial, o Capitalismo entra em cena.

In Dublin, do as the Dubliners do

Fernandin e sua primeira Pint de GuinessFui ao famoso Temple Bar. À região e também ao bar que leva o nome. Fui e aproveitei para tomar a minha primeira Pint de Guinness, como podem ver na imagem ao lado! O estilo inconfundível de tomar cerveja é minha característica mais marcante.

Bank of Ireland

Hoje abri minha conta bancária no Bank of Ireland. Posh, huh?

Eu sempre ouvi dizer que a tecnologia utilizada pelos bancos brasileiros (principalmente pelo Banco Central) era melhor que em qualquer país do mundo. Não sei se é verdade, mas com relação à Irlanda, eu posso dizer que é sim.

Compareci à agência, peguei uma fila de 2 pessoas e aguardei ser chamado. Dois ou três minutos depois, minha vez. Disse que era estudante e que gostaria de abrir uma conta em meu nome. Entreguei a carta da escola, meu passaporte e uma ficha com meus dados cadastrais. Finito. Só isso e mais nada.

Mas, calma. Daí o atendente me disse que eu precisaria aguardar five working days para que minha conta fosse aberta e para que meu cartão chegasse em casa. Depois disso, a senha do cartão chegaria. Isso mesmo, a conta não é aberta na hora. A minha conta, naquele momento, era somente uma folha de papel preenchida.

Depois disso eu preciso ir até a agência e solicitar um extrato, que será enviado para a minha casa em… outros três dias! Pois é. Um extrato bancário da minha conta. Just that.

We have a new student here…

Primeiro dia de aula com direito a um debate interessante: should all people in the world be allowed to have a gun?

Somos em 10 pessoas. O professor nos dividiu em 2 grupos iguais, um para defender, e outro para argumentar contra no debate. Eu caí no grupo que deveria argumentar a favor da liberdade de se ter uma arma em casa.

Foi bastante interessante, apesar de ser um tema difícil de defender, na minha opinião. Eu acabei falando sobre meu suposto hobby de caçar raposas. I like to hunt foxes at weekends, and I need to have a gun to do this. I don’t think that governments should have control over my likes and dislikes foi o que eu tentei argumentar. Argumento fraco, como o da maioria que defende o tema. De qualquer forma, foi ótimo notar que eu já consigo organizar idéias e formar algumas frases em inglês sem muito esforço.

Toda a classe está num nível bom. Alguns bem melhores do que eu. Somos 6 brasileiros, 3 mexicanos e 1 espanhola. Inicialmente achei que dividir uma sala com tantos brasileiros seria problema. Mas acho que o problema está em dividir a sala com brasileiros que não fazem questão, pasmem, de falar inglês dentro da sala! Pude notar dois ou três que se encaixam nessa definição… But it’s not a big deal.

Compras no Tesco

TESCO

Fiz minhas primeiras compras em Dublin. Foi no TESCO, um supermercado bastante famoso por seus preços sempre atrativos. Os itens da minha sacola (que trouxe de casa, pois aqui cada sacola plástica custa € 0.20) foram os seguintes:

  • 1 litro de suco de laranja
  • 1 lasagna de microondas
  • 1 sanduíche natural
  • 1 iogurte de morango (125ml)
  • 1 pacote com 4 enrolados de vegetais e queijo empanados

O preço da compra: € 4.87. Baratinho. O troco para uma nota de € 5.00 foi de exatamente € 0.13. Fiquei imaginando: no Brasil o caixa já teria dado aquela arredondada firmeza pra cima e dado R$ 0,10… E olhe lá!

From Brasil to Ireland

Segunda-feira, dia 10 de Janeiro de 2011. Às 16h15 a campanhia toca. É o táxi que eu havia solicitado para que me levasse até o Aeroporto. Daí comecei a me despedir da minha mãe, do meu pai, dos meus vizinhos e até da minha cachorrinha. Foi um chororô danado.

No dia anterior, domingo, a mesma coisa. Despedi-me de tios, primos e da minha namorada. Despedidas são sempre ruins, eu sempre soube. Mas despedir-se da namorada está entre as coisas mais sentimentalmente complicadas que já fiz em toda a vida.

No caminho para o aeroporto, céu azul. Nem sequer uma nuvem a vista. Cheguei, peguei minha mala e fui para a fila do checkin. Dez pessoas na minha frente, 15 minutos depois e minha mala já estava na esteira para ser despachada. So far, so good.

A previsão era de que o vôo saísse às 21h10. Às 21h40 fui informado de que em 15 minutos poderíamos entrar no avião. Caiu o mundo em Guarulhos minutos antes da decolagem. Resultado: atraso de 1h20 no vôo.

O problema é que minha conexão em Amsterdam seria de exatos 80 minutos! Como é que eu ia fazer para descer do avião, passar pela imigração, me localizar e correr para o portão de embarque em… 0 minutos?!

Por sorte, em Amsterdam o vôo também atrasou. Em 20 minutos, mas atrasou. Foi a conta de conseguir embarcar. Contudo, minha mala não chegou comigo em Dublin. Ela foi extraviada em Amsterdam, mas chegou aqui em casa na manhã de hoje sem nenhum probleminha sequer.

Não precisei passar pela imigração na Holanda. Na verdade, passei somente por um labrador-preto-farejador-lindão e mais nada. Em Dublin, sim, precisei passar pela imigração, seção para não europeus (a despeito de minha clara e evidente descendência européia…), mas foi igualmente tranquilo. What’s the purpose of your visit? e mais nada, passaporte carimbado.

Cheguei.

Irlanda – O início

Em sua obra-prima intitulada “O Estrangeiro”, Albert Camus retrata um personagem mergulhado em um mundo sem emoções e sentimentos. Em determinado momento, Meursault diz que um homem poderia viver 100 anos dentro de uma cela de prisão, se tivesse uma só boa lembrança para recordar-se.

O protagonista demonstra tranquilidade e não aparenta nenhuma perturbação externa. Um aspecto interessante, e que por muitas vezes identifiquei em mim mesmo. Porém, Meursault é uma pessoa completamente insensível, vivendo o absurdo que é a vida, segundo Camus, sem jogar o jogo proposto pela sociedade.

Eu não me considero uma pessoa insensível. Aliás, muito pelo contrário. Insensibilidade e “imperturbabilidade”, ou aquilo que Epícuro chamou de ataraxia, são coisas diferentes. Eu me considero uma pessoa com estrutura emocional capaz de evitar o pânico e o desespero em situações diversas, ainda que sofra inimaginavelmente.

Pois bem. Estou prestes a sair de casa pela primeira vez na vida. Deixo minha casa para morar fora do país, e a distância da família e amigos deixarão saudade previsivelmente grande, e para a qual ainda não fui testado, mas considero-me preparado para suportá-la.

Neste blog, pretendo relatar os fatos mais marcantes dessa viagem. Se você tiver algum interesse em saber disso, é só ficar atento.

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